Se quer que o seu negócio seja escolhido, precisa de ser reconhecido. E ser reconhecido é o trabalho da marca: aquilo que faz com que alguém saiba que um anúncio, uma montra ou uma embalagem são seus antes de ler o nome.
Criar uma marca dá trabalho e leva tempo, mas o processo não é misterioso. Neste artigo percorremos as decisões que têm de ser tomadas, pela ordem em que costumam fazer sentido, e apontamos os erros que mais caro custam a corrigir depois.
Primeiro o conceito, depois o desenho
Antes de desenhar fosse o que fosse, é preciso responder a três perguntas em voz alta: o que faz a empresa, para quem, e porque é que alguém havia de a preferir. As respostas não precisam de ser bonitas, precisam de ser verdadeiras e específicas. «Qualidade e bom serviço» não distingue ninguém, porque é o que toda a gente diz.
Este conjunto de decisões — promessa, público, personalidade e tom — é a base a partir da qual se desenha. Com ele definido, uma proposta visual pode ser discutida com argumentos. Sem ele, a conversa resume-se a gostos, e ganha quem fala mais alto.
A importância de um nome forte
Um bom nome é curto, dizível ao telefone, escrevível sem soletrar e livre para registar. Não precisa de descrever o que a empresa faz: precisa de poder ficar associado ao que a empresa faz. Muitos nomes descritivos envelhecem mal, porque prendem a empresa ao serviço que vendia quando nasceu.
Antes de fechar a decisão, verifique a disponibilidade do domínio e a existência de marcas registadas parecidas no mesmo ramo de atividade. É uma verificação rápida que evita ter de recomeçar mais tarde, já com material impresso.
O logótipo é o rosto, não a marca inteira
Um logótipo tem de aguentar o mundo real: reduzido a um ícone de aplicação, bordado numa farda, aplicado em vinil numa carrinha, impresso a uma cor só num carimbo. É por isso que os logótipos que resistem tendem a ser simples — não por moda, mas por necessidade.
À volta dele vive o sistema visual: tipografia, paleta, tratamento das imagens, formas, espaçamentos. É o sistema que dá reconhecimento, e é ele que permite criar peças novas anos depois sem perder a linha. Tudo isto é o trabalho de branding, e liga-se aos restantes serviços de design que aplicam a marca a cada suporte.
Cinco passos, de forma prática
- Reúna referências e escreva o que a empresa é, em linguagem simples.
- Reduza as opções de nome e verifique domínio e registo.
- Desenhe um caminho visual fundamentado, e não cinco alternativas para escolher ao acaso.
- Escreva as regras num manual e produza os ficheiros nos formatos necessários.
- Aplique a marca a todos os suportes e reveja-a periodicamente, sem a mudar por moda.
A Feitoria do Cacao é um exemplo deste percurso completo: da identidade ao site, à loja online e às peças aplicadas no espaço.
Coerência é o que se nota
A marca só funciona se for a mesma em todo o lado. O mesmo logótipo, as mesmas cores, a mesma forma de escrever — no site, na fatura, na publicação de domingo e no email de resposta. Quando o texto também segue as regras da marca, a diferença é imediata: é aí que entra o copywriting, que transforma as decisões da marca em frases utilizáveis.
Manter a marca atualizada não é mudá-la todos os anos. É mantê-la aplicada com rigor e ajustá-la quando a empresa muda mesmo — de atividade, de público ou de dimensão.
Vamos pensar na sua marca?
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