O site tem duas mil visitas por mês e entram quatro pedidos de contacto. A reação habitual é querer mais visitas — investir em anúncios, escrever mais artigos, mexer no SEO.
Faça primeiro a outra conta. Se conseguir passar de quatro contactos para oito com as mesmas duas mil visitas, duplicou os resultados sem gastar um cêntimo a mais em aquisição. É quase sempre mais barato e mais rápido do que trazer o dobro da gente.
Onde é que eles desistem
Não é preciso adivinhar. Nas ferramentas de análise que já tem instaladas, olhe para o percurso: quantos chegam à página de serviço, quantos abrem o formulário, quantos o submetem.
O número cai sempre em cada passo — isso é normal. O que interessa é encontrar o passo onde cai a pique. Se cem pessoas abrem o formulário e sete o enviam, o problema não está no site inteiro: está naquele formulário, e é ali que se mexe.
Meia hora a olhar para isto vale mais do que um mês de opiniões em reunião sobre a cor do botão.
As quatro causas mais comuns
O formulário pede demais. Cada campo a mais é gente a menos. Um pedido de orçamento precisa de nome, forma de contacto e uma caixa onde a pessoa escreva o que quer. O resto — dimensão da empresa, como nos conheceu, cargo — pergunta-se depois, ao telefone, a quem já respondeu.
Não se percebe o que acontece a seguir. «Enviar» não diz nada. «Pedir orçamento — respondemos em 24 horas» diz duas coisas que a pessoa quer saber antes de dar os dados.
Falta a prova. Quem nunca o contratou está a decidir com base em muito pouco. Trabalhos feitos, nomes de clientes, uma frase de alguém que já passou por ali — isso vale mais do que três parágrafos a dizer que a empresa é dedicada.
Não há preço nenhum, nem sequer uma ordem de grandeza. É a razão mais frequente para alguém sair sem contactar: não quer expor-se a uma conversa comercial sem saber se está a falar de mil ou de trinta mil euros. Uma faixa de valores filtra quem nunca ia contratar e dá confiança a quem ia.
Também se perde antes disso
Uma parte das pessoas nem chega ao formulário. Sai nos primeiros segundos, e as razões são quase sempre as mesmas três: a página demora a abrir, no telemóvel é preciso ampliar para ler, ou o texto de topo não diz o que a empresa faz.
Esse último é mais comum do que parece. Frases como «soluções integradas para o seu negócio» podem estar em cima de uma serralharia de Águeda, de uma clínica de Aveiro ou de uma consultora de Ovar. Quem chega de uma pesquisa tem de perceber em dois segundos que está no sítio certo — e o nome do que faz, escrito à letra, é a forma mais segura de o conseguir.
Mude uma coisa de cada vez
A tentação é refazer tudo ao mesmo tempo. Se o fizer, os números mudam e não vai saber porquê — e no mês seguinte não sabe o que manter.
Escolha a alteração com maior probabilidade de resultar, faça-a sozinha, e espere tempo suficiente para ter dados que signifiquem alguma coisa. Com poucas visitas por mês, «tempo suficiente» pode ser seis semanas, e uma diferença de dois contactos não prova nada: é ruído.
Empresas com muito tráfego podem comparar duas versões em paralelo. Com duas mil visitas por mês, isso não dá resultado fiável — vale mais aplicar o que se sabe que funciona e medir mês a mês. É trabalho de UX/UI com copywriting.
Quantos dos seus visitantes chegam ao fim?
Diga-nos quantas visitas e quantos contactos tem por mês. Olhamos para o percurso e dizemos-lhe onde é que se perdem.