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Marketing

Redes sociais: o que decidir antes de publicar seja o que for

· 4 min de leitura ·

O estado normal de uma empresa pequena nas redes sociais é este: quatro contas abertas, uma alimentada aos soluços, a última publicação de há catorze meses e um estagiário que entretanto saiu e levou consigo a palavra-passe de duas.

Uma conta abandonada é pior do que não ter conta nenhuma. Quem lá cai confirma que a empresa perdeu o interesse — e aquilo aparece nas pesquisas pelo nome da empresa, muitas vezes antes do site.

Escolha uma. Uma só

A decisão mais útil que pode tomar é fechar ou congelar as que não vai alimentar e concentrar tudo numa.

Qual depende de quem compra, não do que lhe apetece. Se vende a empresas, o sítio onde os seus clientes passam o tempo de trabalho é outro do que se vende a pessoas. Se o que faz se vê — obra, espaço, produto, transformação — a rede tem de ser visual; se o que faz se explica, pode ser texto.

Um atalho honesto: vá ver onde é que os seus concorrentes têm mesmo interação, não onde têm conta. Costuma ser uma só, e costuma ser óbvio.

O que publicar está no seu telefone

A pergunta «o que é que se publica?» costuma paralisar tudo, e a resposta está nas chamadas que a empresa atende.

As perguntas que os clientes fazem todas as semanas são conteúdo. O trabalho de ontem, fotografado a meio, é conteúdo. Uma coisa que correu mal e o que se fez para resolver é conteúdo — e dos melhores. Uma explicação de porque é que aquilo custa o que custa é conteúdo.

O que não é conteúdo: os parabéns pelo dia mundial de alguma coisa, as imagens compradas com frases motivacionais e os anúncios de que a empresa está de férias. É o que enche a maior parte das páginas e é a razão pela qual ninguém as segue.

Uma vez por semana, para sempre

A frequência que funciona é a que se consegue manter no mês em que a empresa está com trabalho a mais. Não é a que se planeia em janeiro.

Uma publicação por semana durante dois anos vale incomparavelmente mais do que cinco por semana durante seis semanas e depois nada. A consistência é que constrói o hábito de quem segue — e é também o que os sistemas de distribuição premeiam.

Se conseguir juntar o material de um mês numa manhã — fotografar três trabalhos, escrever quatro respostas a perguntas frequentes — deixa de depender da inspiração, que é onde isto costuma morrer.

Responder conta mais do que publicar

A parte que quase toda a gente salta. Uma empresa que responde a todos os comentários e a todas as mensagens em poucas horas tira mais das redes sociais do que uma que publica o dobro e não responde.

É onde a coisa deixa de ser divulgação e passa a ser comercial: metade das mensagens diretas de uma página de empresa são pedidos disfarçados de pergunta. Se ninguém as ler durante três dias, o negócio foi para outro lado.

Convém decidir quem responde e em quanto tempo, e que isso não dependa de a pessoa estar com o telemóvel na mão.

Como saber se vale a pena

Não é pelos seguidores nem pelos gostos. Esses números sobem quase sempre e não pagam nada.

O que interessa é se entraram pedidos, quantos, e se quem entrou por ali fecha negócio. Basta perguntar «como nos conheceu?» no formulário e ao telefone, e apontar durante três meses.

Pode muito bem concluir que, no seu caso, as redes não trazem clientes — e isso é um resultado perfeitamente válido, que lhe devolve umas horas por semana. Há setores em que a resposta está em aparecer nas pesquisas da zona e não em publicar. Se decidir investir, é o que fazemos em redes sociais.

Tem contas abandonadas?

Diga-nos onde tem presença e quem compra o que vende. Ajudamos a escolher uma rede e a montar um ritmo que se aguente.

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